Desafios do projeto social-democrata em Florianópolis

“O PSDB busca uma fisionomia nítida, busca bandeiras que possam ser compreendidas pela população, não apenas como seu instrumento eleitoral, mas também como seu instrumento de fazer política permanente” (Alberto Goldmann)

Quais seriam as explicações para que um partido como o PSDB apresentar um desempenho pífio nas eleições da capital catarinense? A resposta para isto deve vir de uma necessária e profunda avaliação.  Quero aqui apresentar uma tese genérica sobre a atuação partidária, pensando no futuro.

Para começar é importante definir que o resultado eleitoral é um sintoma e não a raiz do problema. A política partidária é feita de diversos momentos e diferentes atividades, sendo que a eleição é uma delas. O partido não deve viver em função das eleições e de mandatos eletivos! Por uma espécie de paradoxo, a atividade partidária deve ser mais do que isto se quisermos vencer eleições com consistência e, o que é mais importante, manter a posição conquistada.

Contudo, o momento do voto serve como uma torre de observação. O resultado das urnas é como um termômetro. Se ele aponta uma febre sabemos que existe algo errado e, ainda que possamos eliminar o sintoma, o mais recomendável é buscar a origem do mal. Para o partido encontrar e tratar as causas de seu fracasso o primeiro passo é formar um quadro, definindo os fatos objetivos sobre os quais ele deve se guiar hoje para determinar suas tarefas e a modalidade de sua ação.

 tucanos

Sobre as eleições 2008.

Tergiversar não nos ajudará a dar um salto à diante.  O PSDB de Florianópolis saiu das urnas claramente derrotado. Apesar de apresentar uma chapa qualificada, representativa e bem preparada não conseguiu, pela primeira vez em sua história, sequer eleger um representante na Câmara de Vereadores. A gravidade disto se ressalta pelo fato de o partido nas últimas eleições ter elegido o prefeito e três vereadores. Perdeu o partido e, queremos acreditar, perdeu a cidade.

Quanto à eleição majoritária, o candidato apoiado pelo PSDB conquistou o terceiro lugar sustentado por uma aliança que reproduziu no nível local a aliança nacional que hoje se aglutina no Bloco Reformista Democrático. O partido no município, portanto, foi fiel à política de alianças, um dos fundamentos da ação social-democrata. Ao meu ver, realizamos a melhor aliança possível do ponto de vista da ética e da identidade partidária. Da identidade, porque não confundiu a cabeça do eleitor com alianças esdrúxulas com partidos da base de sustentação do governo do Partido dos Trabalhadores ou com o principal adversário da chamada tríplice aliança, que governa Santa Catarina.

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Por não termos claro qual é o projeto do PSDB para a cidade de Florianópolis, muito pouco pudemos apresentar de nosso no programa de governo

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Ainda, seguindo os valores éticos que norteiam a política, o Partido se negou a respaldar a política personalista e de desprezo às siglas partidárias representada pela família Berger. A história do PSDB é marcada pela luta em prol do fortalecimento dos partidos, primeiro passo para o Parlamentarismo defendido em nosso programa. Felizmente, em Florianópolis não rasgamos esta página da nossa história.

Por outro lado, fracassamos na construção programática da aliança. Por não termos claro qual é o projeto do PSDB para a cidade de Florianópolis, muito pouco pudemos apresentar de nosso no programa de governo da coligação. Além disso, por decisão equivocada e traiçoeira de setores do Democratas, vimos nosso principal ativo, o Dr. Juca, ser relegado, quando não escondido, na propaganda eleitoral.

No segundo turno ficamos no limbo. Muito frágeis ao final do primeiro turno, buscando respeitar a orientação da Direção Estadual e evitar maiores prejuízos, acatamos o apoio dado ao candidato do PMDB. Provavelmente pelo fato de o Sr. Dário Berger ser um dos maiores responsáveis pela situação atual, da parte do PSDB de Florianópolis este apoio não se materializou em ação, salvo atitudes isoladas. Sendo assim, ficamos fora da disputa final pela Prefeitura de Florianópolis. Não tomamos o caminho natural da oposição, nem assumimos – como fez o Democratas, mais uma vez traiçoeiramente – com naturalidade a mudança repentina de discurso.

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