Da necessidade de uma educação baseada em valores.

A questão da indisciplina e da violência escolar recentemente ganhou visibilidade. Contudo, para os trabalhadores da educação esse problema é constante e arrasta-se há tempos, dificultando o cumprimento de suas funções escolares e os prejudicando a saúde física e mental. Para quem vive cotidianamente tal realidade, parece claro que a solução passa pelo comprometimento das famílias e pela assimilação pelos estudantes de valores éticos essenciais.

Nossas escolas não podem substituir o papel dos pais na tarefa de primeiros e principais educadores dos filhos. A atividade educacional escolar deveria ser vista como delegada e colaboradora. Porém, principalmente nas cidades de maior porte, isso é cada vez mais raro. O que presenciamos é ausência da ação familiar na formação integral de crianças e jovens. Conseqüentemente, cobra-se da escola o preenchimento dessa lacuna. Na impossibilidade de dar conta de tamanha tarefa – que não é sua! – o sistema escolar assume a conta e os riscos resultantes desse jogo de empurra.

Para superar essa situação faz-se necessário atribuir igual importância aos aspectos sociais e espirituais na formação de nossos jovens. Sem deixar de lado a meta permanente da excelência nos quesitos técnico, intelectual, cultural e esportivo da educação formal, creio que o melhor caminho para isso seja promover a educação baseada em valores. A violência, o desrespeito, a indisciplina e a falta de dedicação aos estudos são indícios da não assimilação de valores éticos através da educação doméstica e escolar. Suprir essa ausência provocará efeitos importantes não apenas nos índices de aproveitamento escolar e na qualidade de vida dos profissionais da educação. Em todos os setores a sociedade ganhará com isso.

É somente com a participação e comprometimento das famílias que nossas escolas poderão dar esse salto de qualidade. Incutir valores exige dos pais responsabilidade, parceria e firmeza. Responsabilidade para reconhecer que a educação dos filhos é tarefa familiar indelegável. Parceria, para que os docentes instruam e completem a educação dos alunos na mesma linha em que eles são educados pela família. Firmeza para assumir que para educar é preciso influir nos filhos – o que pode ser a parte mais complicada, haja vista a concepção largamente disseminada de que em educação os valores principais são liberdade e autonomia.

Fomentar o desenvolvimento das virtudes humanas em sua totalidade deve fazer parte das metas de pais, educadores e gestores educacionais. Para alcançá-la devem agir em complementaridade, transmitindo os valores éticos essenciais para o sucesso pessoal e a vida social. É fundamental também que se perca o receio de, quando necessário, exercer autoridade e exigir disciplina. Pois, respeito, sinceridade, laboriosidade, generosidade são tão importantes para futuros profissionais quanto o conhecimento obtido nos bancos escolares.

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