Risco maior é fugir da briga. (II)

Leia primeiro o post abaixo.

“Uma vez que apesar das especulações em contrário, é quase certo que os mongóis ainda não tinham aprendido a usar a pólvora – se é que alguém o fizera naquela época [Séc. XII] – e apesar disso tomaram uma série de lugares fortificados no Oriente e no Ocidente […] devemos concluir que, em geral, as guarnições renderam-se sem luta”. […] “O que parece provável nas circunstâncias é que se espalhou a notícia de que os mongóis eram imbatíveis”. (John Keegan, Uma História da Guerra. pp. 222-223)

Não procede a idéia de “fatura liquidada” na eleição para o Senado em Santa Catarina com as candidaturas de LHS e Amim. Se há lógica quando se trata de Luiz Henrique, o mesmo não se pode afirmar sobre o outro ex-governador. No primeiro caso temos um candidato que nos últimos sete anos percorre o Estado realizando obras, promovendo o desenvolvimento e – importante frisar – conquistando aliados com a caneta de governador. É a candidatura de um governo bem avaliado e que conta com a simpatia dos aliados. Ainda assim, pode ver seu caminho dificultado pelo fogo-amigo do próprio PMDB.

O caso Esperidião é diferente, quase oposto. Nestes sete anos em que, forçadamente, ficou longe das benesses oficiais, o pré-candidato acumulou 03 derrotas que lhe tiraram a fama de imbatível e só viu crescer o clube de seus “ex-amigos”. Faz parte de um partido pequeno, sem projeto nacional e que vem minguando a cada eleição. Porém, surpreendentemente, ainda mantém certa aura de invencível.

A população mongol na época de Gengis Khan também era relativamente pequena. Jamais excedeu algumas centenas de milhares. Ainda assim “nenhuma seqüência de campanhas por um único povo antes ou depois deles jamais submeteu uma área tão grande à dominação militar” (Keegan, p.218). O medo e o mito foram fundamentais para isso.

Tivesse Luiz Henrique acreditado no mito Esperidião, hoje seria governador? Poucos apostavam na vitória do prefeito de Joinville contra o governador do Estado que contava com altos índices nas pesquisas (veja a intenção de voto em julho de 2002) e a máquina do governo a seu favor. É verdade que Esperidião cometeu graves erros por também acreditar em seu próprio mito: desprezou o PSDB e abriu mão de Paulo Bauer como seu vice-governador. Porém, o grande mérito é daqueles que tiveram a coragem de enfrentar os mongóis.

O PSDB foi decisivo naquela ocasião e, a partir de então, tornou-se um partido grande em Santa Catarina. Ao abrirmos mão do papel de protagonistas na eleição de 2010, corremos o risco de retroceder. E ser protagonista numa eleição estadual significa: ter candidato na eleição majoritária, governo ou senado. Por isso, diante das movimentações dos nossos possíveis aliados, temos duas opções: (1) coligar com outros “grandes” e obrigatoriamente exigir uma vaga ao Senado (a recusa a esta proposta nos afastou do PP em 2002, lembram?); (2) Ter candidato a governador!

Afirmar que existe eleição garantida para nossos adversários é ressuscitar o mito da invencibilidade. É render-se sem luta. Então, como diz o gaudério: “não podemos nos entregar pros paraguaios”.

Um comentário em “Risco maior é fugir da briga. (II)

  1. Mto bem contextualizado o texto, além de sucinto.
    Nesse emaranhado indefinido das eleições mta. água há pra rolar. . .
    Mas em princípio concordo com a sua avaliação “de momento” embora faça eco às pessoas que acham um pouco complicado manter a “Tríplice Aliança” pelo correr dos fatos. Ainda assim acho que devemos tentar mantê-la.
    A posse do Pavan e suas atitudes vão nortear a viabilidade ou não. O fato é que o PMDB já lançou seu candidato sem colher a opinião de seus “parceiros”. Tomou uma iniciativa que talvez venha a enterrar a união que se mostrou durradoura.
    Abraço Tucano!!! Paulo Berri

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