Íntegra do discurso de Raimundo Colombo na posse.

Que as minhas palavras como Governador sejam a proclamação de uma verdade de que espero não me afastar.
Santa Catarina é uma só.
Não sou eu, somos nós.
A partir desta encruzilhada,
Governo e Povo se confundem.
E que esta união, com a graça de Deus, se mantenha até o último momento do meu mandato.

Venho da Serra Catarinense. Venho da minha Lages, para iniciar uma nova caminhada.

A mais longa das caminhadas inicia-se com um passo à frente.

O mais veloz dos corredores, antes de acelerar para a vitória, sempre dará o primeiro passo.

Nenhuma jornada humana dispensa o impulso essencial da largada.

Por isso, aqui e agora, depois de escolhido pelo voto popular no primeiro turno das eleições de 3 de outubro, diplomado pela Justiça e empossado pela Assembléia Legislativa, detenho-me.

Lembro de toda a minha história e das pessoas que comigo a escreveram, partilharam, apoiaram.

Não, não darei sozinho o primeiro passo;não assinarei atos;não aceitarei comemorações;nada me permitirei sem antes invocar o apoio, a compreensão, a companhia, a confiança do povo de Santa Catarina.

Que meu primeiro gesto como Governador seja este aceno largo, grato, emocionado, sublinhado pelo mais sincero dos sorrisos e dirigido a todos e a cada um dos catarinenses.

Convido-os a se juntarem ao governador e ao vice que elegeram.

Preciso de apoio, críticas, compreensão. Até de indignação, quando for o caso, pois quero ser alertado para os erros, a fim de corrigi-los.

Só então, sabendo que tenho o povo ao meu lado, vamos em frente. Não irei só.

Não governarei indiferente a voz das ruas, não aceitarei que nenhum catarinense seja humilhado, maltratado, preterido, negligenciado pelos serviços públicos.

O poder, para mim, não será um exercício solitário. Não me isolarei. Vou visitar escolas, hospitais. Quero conversar, ouvir as pessoas… Honrando o que lhes jurei na campanha eleitoral, não serei eu, seremos nós. Quero vocalizar os melhores sentimentos de solidariedade, fraternidade e trabalho que caracterizam Santa Catarina.

Seremos nós, do mais modesto dos cidadãos ao mais vitorioso dos empreendedores;seremos nós, seremos nós, reunindo a experiência dos “mais velhos” à inquietude dos “mais moços”;seremos nós, do mais fiel dos partidários da grande coligação que me elegeu ao mais duro dos oposicionistas.

Somos nós, todos os homens e todas as mulheres, as minorias e as maiorias; os privilegiados pela graça da fé e os incrédulos.

Eis o perfil e o caráter do governo que se instala em Santa Catarina. Com tais sinais busco a paz, o respeito e a cooperação de todos.

Temos muito que fazer e não será na euforia da posse que abandonaremos a contenção da campanha, quando vos repetia a cada dia: o programa de governo não é um catálogo de promessas, mas um compromisso de atingir grandes metas e trabalhar dia e noite, sem revezamentos, para encurtar o tempo, reduzir as distâncias e abranger o maior número de catarinenses beneficiados por cada ação do governo estadual.

Todos são testemunhas. Mesmo enquanto pedia votos, resisti à tentação de cair na vala comum da demagogia, das ilusões e das fantasias. Preferi cultivar a esperança, infundir nos eleitores a certeza de que o futuro poderia ser bem melhor do que nossa capacidade de imaginá-lo.

Pois quero vos dizer agora, ao tomar posse no Governo de Santa Catarina, que chegamos juntos àquele futuro que parecia tão longe e poderemos iniciar o esforço para atingir as metas com que nos comprometemos e cuja síntese se expressa numa frase: as pessoas em primeiro lugar.

Vamos, a cada mês, assim como a economia confere a inflação, as exportações, a receita de impostos, o PIB – os chamados indicadores econômicos – conferir as condições de conforto; a segurança para ir e vir e ver respeitadas suas propriedades, seja o lar, seja a terra dos que a cultivam.

Vamos, no caso da saúde, registrar o tempo de espera para atendimento nos postos, nos ambulatórios, nos hospitais, nas clínicas odontológicas.

Como vão as oportunidades de lazer e as demandas da sociedade para preencher seu tempo livre? E a assistência aos mais velhos que necessitem de cuidados? Como evoluem as vagas nas creches para as criancinhas e as escolas para os jovens? Em que medida cresce as oportunidades de emprego aos que chegarem à idade de trabalhar?

Como podem ser avaliadas as condições de moradia digna e o acesso a casas e apartamentos, não importa a renda, a região e as atividades profissionais dos chefes de família?

A segurança pública mais que um índice será uma meta de qualidade de vida, perseguida diariamente com um conjunto de ações de proteção a vida e liberdade dos catarinenses.

Todos os fatores essenciais para que o núcleo familiar cumpra seu decisivo papel natural de base da sociedade serão considerados.

Mas, para garantir a estabilidade e paz – ou seja, fazer o Estado funcionar em benefício do povo, fazendo-lhe usufruir da boa administração pública, será preciso um esforço extraordinário em todos os setores do governo.

O primeiro deles é a austeridade das finanças. O cuidado e respeito no trato do dinheiro público também passa pelos cuidados com as despesas, o planejamento dos gastos, o controle das obras e serviços, o rigor nos pagamentos e os cuidados com a arrecadação. É preciso perseguir a eficiência, a competência, a inteligência e criatividade nos investimentos públicos.

O segundo ponto é o dinamismo da economia, de que depende o Tesouro do Estado.

Temos que apoiar, incentivar – até desafiar a aparente contradição de reduzir impostos para aumentar a arrecadação, financiar, abrir estradas, melhorar o acesso aos portos e aeroportos, criar as facilidades possíveis para que os empreendedores – e Santa Catarina é a terra dos empreendedores! – iniciem, desenvolvam, ampliem, cresçam além das nossas fronteiras, inclusive tornando-se internacionais.

Não faltaremos com apoio concreto onde a criatividade humana seja capaz de produzir riquezas – na agricultura, na indústria, na produção intelectual (sim, os catarinenses se tornaram muito fortes em matéria de produção intelectual, especialmente na informática), nos serviços, no comércio em geral. E quanto maior número de empregos gerarem, mais incentivos merecerão.

Nenhuma contribuição e apoio aos empreendedores, dos mais modestos aos grandes projetos empresariais terá mais importância para os empreendimentos do que a expansão e a melhoria da educação. É a mão de obra qualificada, a especialização que impulsionam as atividades produtivas. Ensino básico, ensino técnico, ensino superior, pesquisas e pós graduação, não haverá limites no esforço de expansão da educação, rumo à grande meta: chegará o dia, e Deus queira que ainda sob meu governo, em que nenhum catarinense, por mais pobre e onde quer que resida, interromperá sua formação por falta de meios e oportunidades de aprendizagem.

Insisto no refrão em que baseio minha vida pública: povo tem rosto, nome e endereço e é qualificando-o pela educação que homens e mulheres firmam sua identidade e se qualificam como cidadãos.

Nada, porém, será realizado, se não houver uma grande orquestração dos entes federativos.

O governo estadual está no centro, mas há duas pontas do sistema político brasileiro de cuja articulação não podemos prescindir e não prescindiremos, pelo contrário : o Governo Federal – a Senhora Presidente da República, Dilma Roussef, com quem, acima das cores partidárias, buscarei uma relação de respeito, harmonia e cooperação intensas – e os municípios, as 293 prefeituras de Santa Catarina que são imprescindíveis para que os benefícios e serviços cheguem às populações mais carentes.

Concordo com a afirmação. Ninguém mora no País ou no Estado, mas, como indicam os endereços postais, a vida transcorre nas casas, ruas e bairros. Os serviços básicos, que constituem o front da vida cotidiana, são municipais e é através deles que se chega às populações.

Seremos atentos às oportunidades de cooperação com o Governo Federal e com as prefeituras que haverão de fornecer, com atuações firmes dos seus órgãos, bons elementos para que mantenhamos em patamares bem altos o nosso desenvolvimento.

Sempre me encantou o mistério que abençoa os homens e mulheres ungidos para liderar.

Seja pela fé, desde o Antigo Testamento, quando os profetas conduziam os fiéis a subir ao altar do Senhor diziam “Subo ao altar de Deus”;seja pelo ardor da defesa da Pátria, à frente de exércitos, na esperança de verem surgir no horizonte, como o Imperador Constantino, a mensagem confortadora: “Por este sinal, vencerás!”; seja pela música, os maestros, dos que regem sinfônicas aos mestres de banda que produzem harmonias ao levantar suas batutas.

seja pela alegria das competições esportivas, os técnicos que levam seus times à vitória – e eu mesmo senti esse impulso mágico à superação e superei-me, jogando futsal;

seja pelo ensino, da educação infantil às universidades, conduzindo jovens pelos caminhos do conhecimento e da cultura;

seja na investidura dos detentores de mandatos populares e que devem governar para sua gente e com a sua gente, situação em que agora me encontro ao assumir o Governo de Santa Catarina.

O destino, ou quem sabe a vocação, ou mais precisamente a paixão pela política, um dia me inspiraram a suprema ousadia de me apresentar como candidato a Governador de Santa Catarina.

Cumpri o itinerário democrático. Reuni num único ideal meus companheiros de partido. Contei com a confiança de outros partidos – legendas com notáveis políticos, experientes, populares e consagrados, que me honraram com seu apoio indispensável – e fomos às ruas, praças, residências. Ocupei os sagrados horários de lazer do rádio e TV, escrevi, falei, discuti e ouvi muito.

Quem se dispôs a me ouvir, conheceu-me e conheceu minhas idéias, sonhos e projetos. Conheceu principalmente a minha verdade, quem sou, como me comporto, como vejo o mundo. Não usei disfarces, não neguei minhas origens, minha religião, minha história, meus propósitos e meus princípios.

Eis-me agora – tal como os líderes que me antecederam, especialmente aqueles que me inspiraram – diante do belo, difícil, e desafiador papel, que assumo neste momento, de liderar Santa Catarina, governar Santa Catarina, mas principalmente servir a Santa Catarina. E exercer esse mandato com tal sentimento de Justiça, com tal obstinação de acertar, com tal sentimento de fraternidade, com tal consciência democrática que todos – aqui e além das nossas fronteiras- haverão de reconhecer que Santa Catarina é uma só.

Da minha parte, como Governador, asseguro que nada farei ou deixarei de fazer, sem a lembrança de que não sou eu, somos nós.

Que Deus nos proteja e guarde!


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s