Comentário sobre a pesquisa eleitoral Ibope para Florianópolis – publicada em 02/10/2011

A primeira coisa que chama a atenção na pesquisa IBOPE publicada nos jornais da RBS no último final de semana é o período quem elas foram realizadas. Em geral, os institutos apresentam pesquisas logo após o encerramento do prazo limite para a filiação daqueles que desejam concorrer na próxima eleição (um anos antes do pleito). Dessa vez, a pesquisa saiu uma semana antes desse deadline. Essa antecipação beneficia o recém-criado PSD ao mostrar – ainda dentro do prazo para mudança de partido – a viabilidade eleitoral dos candidatos kassabistas. Como o jornal apresenta os dados frios, destaca-se o candidato com a maior coluna – seja no gráfico ou na página 2 do jornal.

Outro detalhe interessante: até agora a candidata Ângela Amin é a única entre os melhores colocados na pesquisa que não se declarou oficialmente candidata. Mesmo assim, em apenas um dos sete cenários apresentados o nome da ex-prefeita está ausente. E justamente no cenário (nº7) mais improvável: sem as candidaturas João Batista Nunes (PSDB), do Gean Loureiro (PMDB) e do Cesar Souza Jr (PSD), pré-candidatos declarados de cada um desses grandes partidos. Esse é o cenário mais improvável, o que se comprova inclusive pela colocação da candidata do PSTU, que aparece em segundo lugar com incríveis 5% das intenções de voto.

Apesar disso, esse cenário improvável acrescenta uma informação interessante. Nele fica claro o teto da candidata Ângela Albino (PC do B). Quarta colocada na última disputa municipal e deputada eleita no último pleito estadual, a comunista não passou de 25%, mesmo concorrendo com adversários improváveis. Perde feio para os ‘Brancos/nulos’ (36%) e empata na margem de erro com os indecisos (21%).

Um ano antes da eleição e com a população pouco pensando em votar, o que a pesquisa registra é o recall dos nomes apresentados. Avaliando os demais cenários testados na pesquisa, o que fica claro é que os Amin, eternos candidatos, mantêm o elevado nível de recall. As últimas derrotas do casal (2002, 2008 e 2010) provam que dificilmente ultrapassam o teto da largada e que o normal é que esse percentual caia com a proximidade do pleito. Seguindo a lógica, os dois pré-candidatos que participaram da última eleição e agora se reapresentam (Cesar Jr. e Ângela Albino) também aparecem com bons índices. O pesedista em imutáveis 19%, a comunista variando de 10 a 13%.

Os números do Gean Loureiro e do João Batista são os mais interessantes, pois os dois dividem o espaço da situação e concorrem pela primeira vez ao cargo de prefeito. Gean Loureiro decepciona um pouco, pois está há praticamente quatro anos em campanha. Mesmo assim, todos sabem que não devemos subestimar a capacidade da máquina. E, apesar da média 5 recebida pelo prefeito Dário Berger, o índice de satisfação com a atual administração, somando “ótimo” e “bom” fica em 26%. Isso mostra que há margem de crescimento para o candidato. Em tempo: dificilmente o candidato da situação fica fora do 2º turno.

Mas, como foi dito, nessa eleição Florianópolis terá dois candidatos da situação! Um deles é o tucano João Batista Nunes, atual vice-prefeito. João aparece em 5º lugar entre os candidatos que importam (em Florianópolis, felizmente, o PT só cumpre tabela). Porém, está empatado na margem de erro com o pré-candidato do PMDB, que é o quarto colocado.  Os três primeiros lugares, como dito, são ocupados por candidatos que disputaram ou a última eleição municipal (Cesar e A. Albino), ou todas as eleições desde a redemocratização (os Amin).

Moral da história: o jogo está aberto. Numa próxima pesquisa poderemos avaliar: 1) o crescimento do candidato do prefeito, caso ele realmente encampe a candidatura; 2) o impacto do anúncio da pré-candidatura do vice-prefeito pelo PSDB; 3) o efeito da ausência da Ângela Amin num cenário com os principais candidatos.

Sobre os índices de rejeição

Outra prova dos limites da ex-prefeita é o alto índice de rejeição, similar ao de intenção de voto. É o outro lado da presença permanente e de ter governado a cidade: o povo cansa. O impressionante no caso da rejeição é o número do Paulinho Bornhausen. Não governou, não concorreu e, ainda assim, tem 18% de rejeição. Não está muito longe do companheiro de partido, Cesar Jr.. Hipótese: o anti-bornhausen, que se colado ao Cesar Jr. pode prejudicá-lo. A melhor posicionada nesse caso é a Ângela Albino, com 6%, o que contrasta com os números do cenário 7, comentado acima.

 

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