Valor Econômico: “DEM vetará apoio a candidatos do PSD”

Por:  Raphael Di Cunto

A direção executiva nacional do DEM deverá proibir os diretórios municipais de apoiarem candidatos do PSD nas eleições municipais de 2012. A proposta, que será votada em reunião na próxima semana, veta a participação do partido nas coligações em que o candidato a prefeito for do PSD, mas não impede o contrário: receber apoio da legenda adversária. Ou seja, não está descartada uma candidatura com o prefeito do DEM e o vice do PSD.

Também não está proibida a participação do DEM em coligações apoiadas também pelo PSD, desde que o adversário não tenha a cabeça de chapa. O presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), garante, porém, que a possibilidade de uma dobradinha entre os dois partidos é “pouco provável”. “Não deve ocorrer porque são partidos que ficaram em antagonismo em toda parte”, disse o parlamentar, para quem o voto será apenas uma formalidade. “É um assunto que já decidido, tem 100% de aprovação no partido.”

O DEM perdeu 17 deputados federais para o PSD e um número ainda não calculado de prefeitos, vereadores e deputados estaduais, além do governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo. “Em toda parte, o PSD agrediu o DEM. Em Goiás, São Paulo, Santa Catarina. Não é dar o troco, é uma manifestação clara de inexistência de afinidade, uma atitude de legítima defesa”, afirmou Agripino.

Para o secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz, o DEM tem direito de adotar a restrição, mas que o partido não pensa em fazer o mesmo. “Não conheço a realidade de cada um dos nossos 3,8 mil diretórios municipais, então não vou gerar dificuldade para coligarem com que for mais interessante para eles”, afirmou. Na análise de Queiroz, o principal afetado pelo veto é o próprio DEM. “Quem vai ter prejuízo são diretórios municipais deles onde poderia ser conveniente apoiar candidatos do PSD”, comentou.

O PSD será mais afetado no Rio Grande do Norte, onde tem como presidente estadual o vice-governador Robinson Faria (ex-PMN). O Estado é o único administrado pelo DEM, da governadora Rosalba Ciarlini, que estava sobre ameaça de ficar refém do novo partido na Assembleia Legislativa – a legenda teria a maior bancada, com seis deputados estaduais, entre eles o presidente e vice do Legislativo e o segundo e terceiro secretários.

Próxima de Agripino, reeleito senador na sua chapa em 2010, Rosalba virou o jogo contra o PSD na última semana. Conseguiu impedir que quatro dos seis deputados desistissem de aderir à legenda, conseguiu apoio dos cinco pemedebistas da Assembleia e em troca garantiu apoio à candidatura do deputado federal Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara dos Deputados, para senador em 2014.

A vaga para o Senado na chapa da governadora é desejada também por Faria, que ficou isolado com as articulações de Rosalba e agora corre risco de perder até o posto de vice. “A aliança foi feita com o PMN, não o DEM. Ninguém pode falar de futuro, mas a perspectiva é que acabe [a aliança]”, disse Agripino.

Se for confirmada pela executiva nacional, a resolução com o veto dará duas opções ao PSD: apoiar as candidaturas do DEM ou de aliados do governo estadual, onde terá no máximo a vaga de vice, ou concorrer a prefeito contra o grupo da governadora.

A reportagem não conseguiu falar ontem com Faria. Em entrevista ao Valor em setembro, ele disse que não havia atrito com Rosalba devido à criação do partido e que o problema era a relação com Agripino. “Houve exagero da parte dele. Tinha que ser mais respeitoso com o nosso grupo, até porque demos uma ajuda substancial para elegê-lo senador”, criticou à época.

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