Matrículas crescem fora da meta

(Renata Mariz – Correio Braziliense – 08/11/2011)

Ingressos no ensino superior dobram em 10 anos, mas a expansão está longe do estabelecido pelo próprio MEC

A quantidade de matriculados no ensino superior no país mais que dobrou na última década — passando de 3 milhões em 2001 para 6,3 milhões no ano passado. O incremento, porém, deve-se principalmente ao setor privado, que atende 74% dos estudantes brasileiros nesse nível de ensino. Apesar da aparente grandiosidade dos números, apresentados ontem pelo Ministério da Educação (MEC), a expansão universitária está longe do estabelecido no Plano Nacional de Educação (PNE) 2001-2010. O documento, redigido pela própria pasta e aprovado pelo Congresso Nacional, previa que o Brasil chegasse a 2010 com 30% dos jovens de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior. Mas só 17,4% estão nessa situação. A taxa bruta de matrículas, que não faz distinção de idade de aluno ou ex-aluno, é de pouco mais de 20% — nem metade dos 50% propostos pelo PNE 2011-2020, atualmente no Legislativo para ser votado.

O documento com as metas que deveriam ter sido atingidas na última década também estabelecia que 40% da oferta de ensino superior no Brasil viesse do setor público. O que ocorreu foi exatamente o contrário. Subiu a proporção de universitários frequentando instituições privadas — de 68% para 74% — e caiu nas públicas — de 31% para 25% — entre 2011 e 2010. “Não obstante os esforços do governo com a expansão das universidades federais, os câmpus avançados, a interiorização das instituições, quem sustenta esse crescimento é o setor privado, que tem sua importância. O desafio que se coloca, agora, é a qualidade desse ensino”, afirma Mozart Neves, ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco, membro do Conselho Nacional de Educação e do movimento Todos pela Educação. “Nem todas precisam ser uma USP ou uma UnB. Cada instituição tem que identificar seu papel e desempenhá-lo, mas ofertando educação de qualidade.”

Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, os dados foram motivo de comemoração. Ele ressaltou que a promessa do ex-presidente Lula de dobrar o número de ingressantes nas universidades federais entre 2002 e o ano passado está cumprida. “Chegamos a 2010 com 302 mil ingressos, a meta foi levemente superada”, ressaltou. Quanto à presença forte do setor privado na oferta do ensino superior, Haddad ressaltou o aumento de mestres e de doutores nas instituições particulares, passando de 47,5% para 58,5% na última década, como um sinal de qualidade. Esse índice, nas públicas é de 78,8%.

Abstenção no Enade
Mais de 304.483 concluintes universitários participaram das provas do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), realizado no domingo. A abstenção total foi de 19%. O maior índice registrado foi no curso de ciências sociais (36,2%) e o menor entre os alunos dos cursos de engenharia do grupo 4 — química e química de alimentos — (7,3%). Os alunos convocados que não fizeram o Enade ficam em situação irregular no histórico escolar e têm que participar da próxima edição para regularizar a situação.

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