“Novos Getúlios”, por Rubem Azevedo Lima

(Correio Braziliense – 16/01/2012)

Após trabalho sobre política no Brasil, de 1920 a 1933, ano em que Getulio Vargas criou a Justiça Eleitoral, para garantir supostas “eleições livres” à Constituinte de 1934 (23 laudas, 32 linhas de 72 toques), pensei não tratar mais dos malfeitos à nossa democracia. Além de desrespeitar decisão unânime da corte por ele criada, ante a concessão do primeiro habeas corpus eleitoral do país, a um adversário, Vargas, à sorrelfa, mandou o inocentado para o exílio, em poucas horas, impedindo-o de candidatar-se à Constituinte. O presidente da corte eleitoral, Afonso Celso, humilhado, mas digno, renunciou ao cargo, desmascarando, para a história, a manobra ditatorial de Getulio.

Infelizmente, no Brasil, a História é quase sempre esquecida e os malfeitos à democracia continuam, hoje, sob o governo da presidente Dilma. Seis ministros, indicados por Lula, cometeram atos graves de corrupção. Um sétimo, conterrâneo de Lula, concedeu ao seu estado natal 95% dos recursos contra calamidades climáticas, em detrimento de todos os demais estados do país.

Como político, talvez fosse aceitável tamanha injustiça, mas, como ministro, cabia-lhe contemplar, imparcialmente, os demais estados em que aconteceram tragédias até piores do que as de Pernambuco. Aliás, o exemplo do governador desse estado foi lutar, exitosamente, para nomear a própria mãe, deputada federal, ministra do Tribunal de Contas da União. Vale lembrar, a propósito, o ex-presidente da Arena e então deputado federal Francelino Pereira, ao lhe indagarem, durante a dureza do regime militar, se as eleições seriam anuladas, caso seu partido não as vencesse.

Na impossibilidade, à época, de melhor argumento, Francelino respondeu com outra pergunta, encerrando o assunto: “Que país é este?”. Hoje, considerando o número de ministros demitidos por atos de corrupção e vistas as caras de pau e parcialidades de ministros e governadores, num ano de plena democracia, a resposta, menos embaraçosa que a devida por Francelino, seria, no mínimo, a humildade do silêncio. Foi, porém, cheia de arrogância e provocação. Cuidado, pois.

Os novos Getulios fazem o que querem e que se dane a democracia.

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