“Renovação tem a ver não só com nomes na liderança mas na forma de organização”, entrevista de Eduardo Graeff.

(Cristiane Agostine – Valor Econômico – 26/03/2012)

Eduardo Graeff (D), Raffiê Dellon e Jefferson Fonseca, no Encontro da JPSDB Nacional, em 2011.

Na disputa em São Paulo, Graeff diz que torcia pela candidatura do secretário Andrea Matarazzo, para que o partido se renovasse. O PSDB, no entanto, teve de optar entre renovar e a possibilidade de ganhar a eleição e apostou na segunda opção, analisa o tucano.

Autor do livro “Corrupção de Sarney a Lula”, Graeff afirma que uma das portas para os desvios na máquina pública é a manutenção de um mesmo partido ou grupo no poder, por muitos anos. Ao ser questionado sobre os problemas de o PSDB estar em sua quinta gestão consecutiva no governo paulista, reflete sobre uma possível renovação. “Não acho que o PSDB esteja destinado a ficar mil anos no governo de São Paulo.”

Ligado ao ex-presidente tucano, Graeff foi subchefe da Casa Civil para Assuntos Parlamentares na gestão FHC. Coordenou o escritório de representação do Estado de São Paulo em Brasília quando José Serra foi governador do Estado.

A seguir, a entrevista que concedeu ao Valor na quinta-feira,, depois de participar de uma palestra na Faculdade Rio Branco.

Valor: O PSDB queria renovar seus quadros para disputar a eleição em São Paulo mas não conseguiu. Por quê?

Eduardo Graeff: Acho que deu certo porque teve prévia e prévia é instrumento de renovação. É um passo na direção certa. Uma forma de você trazer gente de qualidade para a boca do palco é a prévia. Há duas formas [de escolher o candidato]: quando você está no governo e tem um secretário, um ministro que se destaca; a outra é a prévia.

Valor: A prévia deveria ser feita nacionalmente?

Graeff: Sim. Precisa, inclusive para não ter uma defasagem de duração de campanha tão grande. Foi uma coisa que prejudicou a oposição na eleição presidencial passada. A campanha do [Luiz Inácio] Lula [da Silva] a favor da Dilma [Rousseff] começou um ano e meio antes da eleição e a definição de um candidato do PSDB e a campanha [tucana] foi a seis meses da eleição. Durante um ano a corrida só teve um corredor. O que pode mudar isso é a prévia. A prévia interessa sempre para o partido e o candidato desafiante [da oposição]. O que está no governo não precisa.

Valor: A prévia nacional seria em 2013?

Graeff: A direção do partido tem de ver a data, calendário. Torço para que haja oportunidade de ter prévia. Seria bom. Pode não ter se não houver mais de um nome como pré-candidato.

Valor: Hoje se fala entre Serra e Aécio para disputar a Presidência. O senhor acha que se o Serra vencer em São Paulo ele disputará a prévia nacional?

Graeff: Não sei. Está tão longe…

Valor: O senhor disse que torcia para que Andrea Matarazzo fosse o candidato do PSDB na capital. Por quê? É hora de o partido e renovar?

Graeff: Fiquei bem impressionado com Andrea porque quando ele participou como pré-candidato se mostrou entusiasmado. Teve vivência na cidade, mostrava conhecimento. Serra é da cidade e como prefeito colocou a mão na massa. Poderia ter acontecido uma renovação. Mas se está criando um instrumento de renovação que é a prévia. Dizer para o PSDB a hora de renovar aqui ou ali é muito pretensioso. Se o PSDB não quisesse o Serra não o teria buscado para ser candidato. Foi uma coisa mais do que razoável de fazer.

Valor: O senhor afirmou que essa escolha se deu porque era hora de ganhar, não de renovar…

Graeff: É hora de ganhar. Mas tem chance de ganhar com renovação. O processo todo das prévias deu uma avivada no partido. Agora a expectativa de renovação se pode ter em relação a 2014, com prévias. A renovação tem a ver não só com nomes na liderança mas na forma de organização. Prévias vão servir de estímulo para o PSDB se organizar de um jeito mais moderno, com mais política de base, mais ligação com a sociedade. Essa renovação conta muito e aumenta a probabilidade de formar quadros novos.

Valor: Ao analisar a corrupção nos governos, o senhor disse que as irregularidades tendem a se intensificar quando grupos políticos ficam muito tempo no poder. Em São Paulo o PSDB está há quase 20 anos. Quais são os problemas disso?

Graeff: Você fica, eventualmente, com menos imaginação, menos entusiasmo. Começa a cair na rotina. É claro que a disputa eleitoral aviva as coisas, dá estímulo forte para atualizar as ideias. Mas não acho que o PSDB esteja destinado a ficar mil anos no governo de São Paulo. A vida sempre brinca com isso.

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