Drogas no campus da UFSC e a ação da Polícia.

Ai, ai… essa história de polícia no campus, drogas no “Bosque” do CFH e alunos ocupando a reitoria é muito repetitiva. Não é de hoje. Mas, vamos lá…

Sempre defendi, quando estudante da instituição, e continuo defendendo que a UFSC merece ter policiamento. O delegado da PF foi feliz ao deixar bem claro que não existe esta história de polícia não poder entrar no campus. Tem que entrar sim. A UFSC não é uma ilha isolada, alheia à jurisdição penal. Em certos casos e respeitadas as normas, a ação das polícias se faz necessária. Porém, essas ações devem seguir estritamente os parâmetros de legalidade e de proporcionalidade.

Não é preciso dizer muito, basta uma pesquisa, ou mesmo um plebiscito entre a comunidade universitária, para saber que a maioria dos estudantes, professores e técnicos apóia a ação da polícia. Sempre foi assim. A “batata-quente” fica na mão da reitoria, encurralada entre atender a minoria ruidosa e assinar um documento pedindo para que a polícia não atue no campus – vai se responsabilizar pelos incidentes que possam acontecer no futuro? – ou representar a maioria (já não tão silenciosa) que espera andar com segurança na Universidade.

As cenas mostradas são lamentáveis. Para mim ficou claro que o confronto foi iniciado pelo grupo de estudantes que cercou os policiais federais, impedindo os agentes de cumprirem a Lei. O resto foi o desfecho lamentável, repito. Não vem ao caso a defesa ou não da legalização das drogas, o fato é que enquanto não forem legalizadas, elas não são… legais! E, se há demanda, há alguém para atender a demanda dos usuários. Alguém acredita que não há traficantes agindo ali?

A resistência dos estudantes frente à ação da polícia e o uso de bombas de gás lacrimogênio, gás de pimenta, balas de borracha, colocam em pauta mais uma vez a discussão sobre os problemas de segurança pública e o papel das polícias na sociedade democrática de direito. O que está em jogo, mais do que os cinco cigarros de maconha, são os limites do poder coercitivo do Estado e o despreparo e inabilidade da polícia em lidar com uma questão criminal, nesse caso específico, menor. As polícias devem ser bem treinadas afim de afastar quaisquer atos arbitrários e truculentos, permitindo espaços de negociação e diálogo. A polícia deve ser uma instituição a serviço do cumprimento dos direitos humanos e não uma violadora de garantias fundamentais de qualquer cidadão, seja ele manifestante, estudante ou mesmo criminoso.

Os recorrentes embates entre estudantes e as polícias presenciados no nosso país criaram uma animosidade prévia de ambos os lados, que se tratam como inimigos. A sociedade civil precisa resolver essa questão.

Afirmo minha solidariedade para com todos os feridos, em especial para com o Prof. Paulo Pinheiro Machado, vítima de um ato covarde enquanto tentava mediar uma solução entre os estudantes e as polícias. Sei de suas intenções boas e pacíficas. Sei também, que eles sabem como funcionam estes embates.

Aliás, tenho uma dica para o pessoal pacífico que se mete no meio dos conflitos entre a polícia e “manifestantes”. Tente entrar no meio de uma briga, na turma do deixa-disso. O risco de sobrar uma bordoada é sempre grande. Quem entra num conflito, mesmo na intenção de apaziguar, sabe que se expõe ao risco e o assume.

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