Comentários sobre o atentado na França, no jornal Charlie Hebdo.

Os dois mil que morreram nos últimos 5 dias na Nigéria, em ataques do grupo fundamentalista terrorista islâmico (um dos…) não eram Charlie. (http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/01/cerca-de-2-mil-foram-mortos-em-cinco-dias-de-ataques-de-radicais-na-nigeria.html)

Os milhares morrendo nas mãos do “Estado Islâmico” – com quem a Dilma recomenda que se negocie – não eram Charlie.

Mas todos mereceriam a mesma comoção, indignação e reação dedicada ao caso francês.

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Dei uma corrida de olhos na TL e encontrei entre posts, comentários de posts e artigos compartilhados, vários comentários sobre o atentado ao Charlie Hebdo na linha “não se deve desrespeitar nenhum grupo, se não dá nisso…”. De certa forma, é como aquele argumento ridículo de culpar a vítima de estupro pela violência sofrida: “estava provocando, deu nisso…”. Inaceitável.

Até o tal de Latouff, cartunista brasileiro que costuma emprestar o serviço para jornais esquerda, de sindicatos, boletins de greve… muitas vezes ofendendo ou acusando de crimes os adversários, e outras ridicularizando o catolicismo, entrou nessa. Eu queria ver a opinião do Latouff sobre quando quebraram uma imagem de Nossa Senhora ao vivo num programa da rede de TV do Edir Macedo. Vai entender a hipocrisia esquerdista…

Eu também não serei hipócrita de postar algo dizendo que “Je suis Charlie”, porque não sou. Ao contrário: não concordo com a ridicularização da fé alheia, não sou esquerdista, nem anti-clerical como a linha do jornal. Porém, acredito nos valores “judaico-cristãos-ocidentais”, entre os quais se consolidaram a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e o direito dos ofendidos procurarem a justiça quando acharem cabível. O melhor protesto contra piadas de mau gosto é evitá-las, não rir, não comprar o jornal, não ver o site, não ver o canal no YouTube.

Sou contra matarem cartunistas, como sou contra quebrarem a sede de revistas, como aquele grupo de fanáticos chamado União da Juventude Socialista (UJS) fez com a revista Veja. Lembrem que antes deste atentado, houve outro com uma bomba na redação do Charlie Hebdo… Porém, ser solidário e rejeitar veemente a violência e o fundamentalismo não faz de mim Charlie.

Repito: eu queria que prestássemos tanta atenção aos crimes que estão sendo cometidos pelo Boko Haram e pelo Estado Islâmico quanto estamos prestando ao atentado na França. São valores civilizacionais que estão em risco, ameaçados. Só acordamos quando o tiro atinge as áreas centrais?

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