Diante do Segundo Turno das Trevas, o que fazer?

Desde os 15 anos convivi com a esquerda: no movimento estudantil, na universidade, nas escolas (como professor), nos governos. É impossível a qualquer um que tenha passado por esta convivência não perceber o quanto há de violência, autoritarismo e corrupção nesta esquerda.

Os desmandos dos treze anos do governo petista nada mais são do que as práticas presentes no movimento estudantil e sindical transpostas para o nível institucional. Se é tudo pela Revolução, tudo é justificado: não há culpa, pois não há crime/pecado individual. Diante dessa convivência, acabei por aceitar a “acusação” de ser “direita”. Chegou uma hora que adotei o rótulo. Se eles são a esquerda, quero ser o outro. Não sou como eles, sou direita. Sem medo de ser feliz.

Não voto 13 porque não relativizo o valor da Democracia. Para o PT, seus satélites e todas as seitas da esquerda, a democracia conforme conhecemos não passa de um meio, de uma etapa. José Dirceu, sem pudor, disse isso com todas as letras recentemente: para eles ganhar eleição é uma coisa, tomar o poder é outra. Para mim a democracia é um fim em si, sempre foi. Considero este o grande princípio político do PSDB na sua origem, o valor que uniu pessoas de diferentes correntes num partido de centro. O PT, como partido, não é democrata. Ao contrário, é autoritário, populista. E provou ser extremamente corrupto.

O segundo turno das trevas, portanto, nos colocou diante de duas alternativas autoritárias e populistas. Fascismo? Acho que não. O discurso do ódio, o desrespeito às minorias, a sobrevalorização do papel do Estado, a tendência totalitária e a criação de milícias (o que é o MST) descreve bem o PT. Ainda assim, procuro tratar com mais carinho os conceitos.

Será dito: “mas o PT respeita as minorias”. Isso é verdade quando por “minorias” se entendem os coletivos, sociais ou identitários, à serviço do partido. Mas quando falamos em Democracia, tratamos do respeito à minoria do ponto de vista político: uma minoria que tenha reconhecida a legitimidade do seu discurso e que tenha espaço para defender suas ideias, em busca de formar uma nova maioria.

Essa minoria o PT não respeita e se puder extirpa. É da lavra do PT rotular a oposição como tudo que é de ruim, tirando a legitimidade de qualquer ideia contrária às deles. Por isso, me espanta quando alguns tucanos abraçam o 13 com tanto amor. Esqueceram todos estes anos em que fomos rotulados de nazistas, racistas, corruptos, misóginos, inimigos dos pobres… Eu não esqueci.

Tudo isso me levou a uma “torcida crítica” pelo Bolsonaro. Não posso chamar de apoio, pois não é: não vou para rua, não assino manifesto, não tenho a ilusão de que ele mude nossa política de maneira decisiva. Parafraseando um amigo que votará no Haddad: aqui é a torcida de quem quer ser oposição ao Bolsonaro. Porque será difícil ser oposição contra o PT.

O PT já deu provas cabais que não respeita a oposição. Esta declaração do Bolsonaro contra os “vermelhos” já foi feita também pelo Lula. Em 2010 ele disse que desejava: “extirpar o DEM da política brasileira”. Lembram? É assim que eles pensam e quem já os enfrentou sabe que é assim que eles agem.

O PT acabou com as nuances. Destruiu a ideia de que alguém pode pensar diferente sem que, por isso, seja o mal encarnado. Pegue os posts dos seus seguidores petistas de quatro anos atrás e verifique se ali não está o exemplo mais acabado desta doutrinação. Todos os ventrílocos do PT são treinados para rotular, rotular, rotular…

O Bolsonaro é uma criação do PT. E, eu acrescento, do CQC! Ao PT coube introduzir o messianismo na política brasileira contemporânea. Isso preparou o terreno onde brotou um Bolsonaro. Como todo partido autoritário, que vê na democracia burguesa um entrave para seus objetivos, os petista seguem uma figura forte, um líder portador da utopia, representante da vontade coletiva.

Visto que esse líder possui sozinho a capacidade de representar a vontade do povo (foda-se a minoria política, esses são contra o povo!), buscaram desacreditar a instituição central da democracia liberal: O parlamento. No que foi possível, o Partido dos Trabalhadores agiu para enfraquecer e desmoralizar o Congresso. “Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou…”.

Por desprezar o parlamento e a democracia representativa, ao chegar ao Planalto, o PT procurou comprar uma maioria parlamentar. Fizeram o Mensalão e agora há quem os veja como último bastião da democracia. Ocorre que esta desmoralização do parlamento e a crítica à democracia liberal (burguesa) foi além do que eles previam e redundou num movimento de negação da política.

Isso criou espaço e necessidade de outra figura messiânica que fizesse contraponto ao Lulismo. Aí entraram a internet e a televisão através de programas como o CQC. Bolsonaro era uma figura cômica, como um Tiririca da vida. Porém, como maior potencial de gerar cliques.

A exposição deste personagem em programas como o CQC buscava ridicularizá-lo e, paralelamente, ridicularizar o Parlamento. Ocorre que, sem poder acreditar na representatividade parlamentar, aqueles que também não se sentiam representados pelo messias do PT encontraram no Jair o seu próprio Messias. De palhaço, virou mito, um meme ambulante, o antagonista da lacração.

Agora o autoritarismo encanta à todos e acabou o espaço para a política do centro. Então, diante de dois males semelhantes, o que os diferencia? Bom, se eu olhar apenas para o programa básico de cada um, a opção seria Bolsonaro sem pestanejar. Não há nenhuma pauta do PT que eu defenda. O PSL não é abortista, não tem a sanha de aparelhamento e inchaço do Estado demonstrada pelos governos petistas… Enfim, a candidatura defende algumas pautas que eu defendo.

Contudo, Bolsonaro é tosco demais: preconceituoso, despreparado, falastrão. É triste termos um Presidente como ele. Também é triste verificar o nível médio dos seus apoiadores. Em geral, os militantes de esquerda que conheço são mais preparados do que os militantes desta “direita” que emergiu de 2013 para cá. Fato natural visto que a esquerda prepara seus quadros desde os bancos escolares, há décadas! E a direita brasileira faz pouco tempo que entendeu essa necessidade. Bons quadros estão surgindo, e o resultado desta eleição já é efeito da ação de uma “vanguarda”, para usar a categoria leninista.

O que me leva a torcer pelo Bolsonaro é mais simples: o domínio da realpolitik pelo PT me trouxe à conclusão de que o retorno deles ao poder não será uma simples “eleição”, mas uma tomada de poder, conforme já adiantou o Zé Dirceu. Eles não sairão tão cedo. No caso do Bolsonaro, mesmo com uma bancada própria, não acredito que dure muito essa “onda”. Vejo inclusive, como já manifestei, a eventual vitória dele como uma chance de avançar o debate sobre o Parlamentarismo.

Sem nenhum grupo tradicional no controle do Executivo e com medo de perder força para o Legislativo, quem sabe uma reforma inclua a mudança do sistema político. Com o Parlamentarismo poderemos no futuro evitar esses arroubos populistas, messiânicos e autoritários. Característica das duas candidaturas deste segundo turno das trevas.

Assim, sem me sentir representado por nenhum dos lados nesta eleição, considero o Bolsonaro um mal menor do que uma eventual eleição do PT.

#PTNÃO #PTNUNCA! Em defesa da Democracia e na certeza de que nossas instituições correm sérios riscos com o retorno da esquerdalha ao Planalto.

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