“Heroína de dois mundos”, para quem?

Aproveito que estamos na semana de comemoração do o bi-centenário de Anita Garibaldi para repostar uma opinião escrita dois anos atrás.

Em Santa Catarina há essa espécie de culto à memória de Anita Garibaldi. Considero importante e válido o registro histórico dos eventos dos quais ela e o amante, Giuseppe Garibaldi, fizeram parte. Igualmente, a biografia de ambos – romanceada ou não – tem uma narrativa interessante.

Já o tratamento de “heroína” parte de um juízo de valor que não necessariamente precisa ser compartilhado por todos os catarinenses – muito menos por brasileiros de outras regiões. Atendo-se apenas nas causas pelas quais eles lutaram, sem entrar nas questões de moral individual, o casal não seria assim essa, digamos, unanimidade toda.

Por exemplo, nenhum católico que se preze deveria tratar Anita Garibaldi como heroína, pois ela e o amante lutaram contra a Igreja na Itália do século XIX. Eles tinham lado! Aqui no Brasil também: eles lutaram contra a unidade do país. Avaliar se as causas eram justas ou não é um juízo de valor.

Assim, o “herói” e “heroína” para uns são, na verdade, vilões para outros. Para mim, por exemplo, herói mesmo foi o Papa Pio IX, que defendeu os Estados Pontifícios contra a turma do Giuseppe.

(Nota: A imagem em destaque trata-se de um busto pintado por Agnelo Antunes na técnica tinta acrílica sobre tela. Foi publicada pela revista “História Catarina”, nº101 junto com a foto que serviu como inspiração. Agradeço ao professor Claudio R. Silveira pelas informações)

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