Burrice política e insensibilidade

O tema da “pobreza menstrual” é exemplo interessante de “agenda-setting”, formação da agenda pública. Como problema individual e impacto social, sempre existiu. Mas de repente virou central, a ponto de ocupar minutos no #JornalNacional e virar promoção para prefeitos e governadores. Quer dizer, nem tão de repente, porque o esforço para inserir o assunto na pauta levou um tempo para surtir efeito. Mas quando pegou, subiu com tudo.

Nas democracias existe um oportunismo do bem, quando o governante surfa em temas importantes, cuja relevância não era percebida anteriormente. Por isso, o veto do PR à distribuição de absorventes para meninas de baixa renda, é burrice política – além de óbvia insensibilidade. Seria fácil reconhecer a adesão da população à ideia, assumir que os argumentos quanto aos impactos sociais são justos e sancionar a lei sem criar maiores marolas. Mas, não!

Por certo, sei bem sobre a estratégia de alimentar constantemente os seguidores com polêmicas. Já não é novidade. Nesse sentindo, não descarto o possível cálculo dos “estrategistas” do presidente Bolsonaro, considerando os ganhos em exposição e mobilização superiores ao desgaste com as críticas. Ainda assim, o método – se é que existe – não diminui a burrice. No momento, Bolsonaro já não pode dar-se ao luxo de queimar gordura, quanto mais reforçando o rótulo de insensível.

Há uma expressão que diz “nada pior que um burro proativo” (ou algo assim). Parafraseando, podemos dizer: nada pior do que a burrice com método.

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